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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Por uma Questão de Segurança


Não sei quanto a vocês, mas, eu recentemente recebo em minhas redes sociais, diversas mensagens de crianças desaparecidas.

O que mais me chamou a atenção é que diversos casos têm acontecido bem próximos da gente em um intervalo muito curto de tempo.

Alguns ganham repercussão na internet e consequentemente em outros meios de comunicação. Mas, há aqueles que nem temos conhecimento.

Só no último mês recebi três casos de desaparecimento na região onde moro. Sendo um muito próximo de nossa família que graça a Deus foi solucionado e o outro que compartilhei recentemente na fanpage referente ao garotinho que se perdeu, já foi encontrado, e ainda não se sabe os detalhes da investigação.

Quando acontece perto da gente, o medo e os questionamentos aumentam:

Foi um descuido ou há algo maior por trás de tantos casos parecidos?

Lembro-me que na minha infância havia a lenda urbana (ou não, vai saber!) sobre o opala preto que sequestrava crianças.

Quantos outros virais do tipo já não foram espalhados recentemente?

Verdadeiros ou não a questão é que todo cuidado é pouco e crianças continuam desaparecendo.

Aquelas recomendações básicas que escutamos desde pequenos nunca saem de moda:

• Orientar os filhos a não aceitarem doces, presentes, ou qualquer outro objeto de estranhos, podendo aceitá-los de conhecidos e parentes, somente com prévio consentimento dos responsáveis.
• Manter bom relacionamento com a vizinhança.
• Procurar conhecer as pessoas que convivem com seu filho.
• Participar ativamente dos eventos envolvendo o seu filho, como aqueles ocorridos em escolas e aniversários.
• Ensinar ao seu filho o seu nome completo, endereço e telefone e os nomes dos pais e irmãos.
• Não autorizar o seu filho a brincar na rua sem a supervisão de um adulto conhecido.
• Evite deixar o seu filho em casa sozinho.
• Providenciar a carteira de identidade do seu filho, através do Instituto de Identificação.

E agora em plena era digital, estes cuidados devem ser redobrados.

A maior incidência de desaparecimentos ocorre devido ao tráfico de crianças por quadrilhas que atuam em território nacional e internacional, aliciam ou sequestram crianças para fins de venda de órgãos, trabalho escravo infantil, prostituição infantil e adoção ilegal. Além de crimes de pedofilia (estupro, a grande maioria com morte), fuga de casa devido maus tratos dos pais, prostituição infantil, mendicância, dependência química e outros...

Estatística: 

“São milhares de pessoas desaparecidas no Brasil entre adultos e crianças e que continuam desaparecendo todos os dias sem deixar o menor vestígio. Não há registro de números oficiais, sabemos que são muitos milhares, sendo que a maior pesquisa neste sentido foi realizada em 1999 com o apoio do Ministério da Justiça que apontou um número fantástico: mais de 200.000 pessoas desaparecem por ano no Brasil. Os dados não refletem a real situação porque sabemos que um número infinitamente maior sequer registra o caso na polícia ou por falta de conhecimento ou pelo temor que a grande parte das pessoas têm de entrar numa delegacia (isto é fato).

Como ajudar:

• Observar o comportamento de novos vizinhos em relação ao tratamento dispensado aos 
   menores que com eles convivem, comunicando à Polícia qualquer fato suspeito.
• Observar, em via pública, o trânsito de menores desacompanhados, idosos e portadores de necessidades especiais, caso apresentem desorientação, possibilidade de extravio ou mesmo dificuldade de expressão, comunique o fato à Polícia para que prestem a devida assistência antes que ocorra o seu paradeiro. O ideal é que você possa levar a pessoa até o posto policial mais próximo.
• Comunicar e registrar o desaparecimento do menor ou do adulto imediatamente após constatada a sua ausência, na Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida. Deve-se apresentar fotografia e documentação do ausente, caso existente, para início da busca. Para o menor, é necessária a apresentação da cópia da certidão de nascimento.No entanto, a ausência do documento não impede o registro e a busca.
• Todas as informações acerca de pessoas desaparecidas devem ser comunicadas imediatamente à Polícia, ligando para o número 0800-2828-197.
•  Caso ocorra o retorno voluntário do desaparecido ao lar, contatar a Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, comunicando o fato.


BUSCA IMEDIATA

A Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente determina investigação imediata em caso de desaparecimento de criança ou adolescente. (Acréscimo - Lei nº 11.259 de 30 de dezembro 2005).

O assunto é doloroso uma vez que nos colocamos no lugar do outro, mas é extremamente necessário.

Quanto mais falarmos a respeito, denunciarmos e compartilhamos mais estamos fazendo a nossa parte pela causa e evitando que uma nova criança desapareça.

Faça a sua parte!

Até o próximo post.


Fontes:

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A tal da redução da maioridade....


Vocês acreditam que esta noite eu sonhei que estava escrevendo no blog sobre a redução da maioridade penal no Brasil.

O assunto está no auge e até então eu não queria me manifestar a respeito, estava acompanhando bem de longe algumas discussões, mas, depois deste sonho algo me dizia que não deveria fugir da raia.

Confesso que já tive opiniões diferentes a respeito. Detalhe: uma bem antes da maternidade e outra depois da especialização em Intervenção Psicossocial no Contexto das Políticas Públicas que ganhou ainda mais forças depois que me tornei mãe. Vocês já deduziram quais são né?

Não sou daquelas que ficam brigando para convencer que minha opinião está certa e a sua errada. Não faço isso com politica, religião e nem time de futebol.

Porém, esta semana me deparei com uma professora em defesa da redução e os seus posts nas redes sociais a respeito estavam martelando na minha cabeça.

Não sei quais são os motivos dela. Pode ser que já tenha sido assaltada por um menor ou algo mais grave. Mas, ainda assim eu ficava indignada.

Indignação tão grande que até sonhei e agora estou aqui escrevendo.

Lembro-me que quando era criança minha tia levou um garoto abandonado para passar uns dias conosco.  Ele já tinha passado pela antiga FEBEM e tinha comportamentos infratores. Lembro exatamente que suas brincadeiras preferidas eram policia e ladrão, brincar de bater um no outro e assim por diante...

A FEBEM em si já era uma prisão para menores e por isso não deu certo. Tanto que há diversas pesquisas que comprovam que menores que passaram por ela retornaram ao sistema carcerário quando adultos.

Não sei qual o foi o destino do garoto que minha tia tentou ajudar. Nunca mais vimos ou ouvimos falar dele. Um pouco mais velho do que eu, pode ser que tenha mudado de vida, pode ser que esteja preso ou pode ser que esteja morto (...).

Anos depois, ao ser voluntária em uma ação social durante a faculdade de Jornalismo, tive a oportunidade de conhecer um abrigo para meninos em que os pais ou responsáveis estavam presos ou ameaçados pelo tráfico, colocando a guarda destes menores em risco.

Era uma casa comum, sem celas ou grades, com um ótimo espaço para brincar, biblioteca, sala de jogos e TV. A proposta era totalmente oposta a da FEBEM e do que visa à redução da maioridade penal hoje.
Aqueles meninos tímidos, tristes e até mesmo traumatizados pela dura realidade que a vida já lhe pregava tinham ali, a oportunidade do estudo,do brincar e de se tornarem cidadãos de bem.

Duas comparações que já provam por si só que a redução não é a solução para combater a violência no País. Pelo contrário, ela é um incentivo tal como a FEBEM foi.

Também quero propor duas simulações:

Na primeira, imaginem um adolescente de 14 anos com pais ricos. A mãe vive nos salões de beleza e eventos da alta sociedade. O pai, empresário famoso, tem outra família e não da à mínima para o filho que ainda sofre bullying na escola e é viciado em vídeo games de violência. Certo dia movido pela depressão pegou um revolver que o pai tinha no escritório, levou para a escola e o final da história nós já sabemos.

Na segunda simulação, o adolescente também de 14 anos mora no morro e tem cinco irmãos. A mãe é agredida todos os dias pelo padrasto dele que é alcoólatra e viciado e lhe faltam o que comer. Certo dia, o menino ao ver o empresário rico distraído no celular, rouba-lhe a carteira para comprar comida para os irmãos e ajudar a mãe.

Imaginemos que a redução da maioridade já está em vigor e o menor do morro é preso com mais 30 homens em uma cela de quatro metros. Enquanto o adolescente rico vai estudar em um colégio interno do exterior (que não se compara às nossas cadeias) para a família não ter a sua reputação abalada e assim, conseguirem abafar o caso.

Posso ter sido radical. Mas, entenderam o porquê que a redução da maioridade jamais dará certo?

Prender nossos jovens é aumentar ainda mais o abismo social, econômico e cultural que já existe no País.  Segundo o Unicef, "mais de 33 mil brasileiros entre 12 e 18 anos foram assassinados entre 2006 e 2012" (imaginem os dados atualizados) e com certeza a maior parte deles são da classe média baixa.

Se a redução entrar em vigor quem será preso?????

Reduzir a maioridade é tratar o efeito, a ponta e não a base ou a causa.

Se conseguirmos investir na educação tal como eu vi no abrigo que visitei anos atrás ao invés de punir estes jovens com mais violência (que é o que acontece nos nossos presídios e cadeias) vamos conseguir mudar as estatísticas.

Nossas leis são falhas, e imaginem quantos não serão presos e punidos por engano, só porque são negros ou pobres?

Temos que lutar é por cursos profissionalizantes, empregos, investir na educação, no esporte e no lazer. Permitir o acesso à faculdade para todos independente da classe social. 

Apoiar a família, melhorar as formas de tratamento dos jovens viciados em droga, permitir que aquele menor que já cometeu alguma infração tenha chances de se reinserir na sociedade e começar sua vida outra vez.

Não podemos simplesmente dar as costas e tratá-los como animais.

Estamos falando dos nossos filhos e, a tristeza ao perceber o caminho que as coisas estão tomando me deixa aos prantos, na preocupação de qual mundo estou deixando para minha Iasmin.

Precisamos ter mais fé. E não me interessa qual é a sua crença ou religião. Acredito que fé é o simples fato de acreditar no amor, na paz e no bem. É respeitar o próximo, aceitar as diferenças, fazer a nossa parte por um mundo melhor e manter a família unida (Independente das diversas formas de família que nos deparamos hoje. Se é uma família unida no amor e na fé, não haverá motivos para que seus filhos sejam presos).

Estamos muito descrentes e fazendo as escolhas erradas. Defendendo que violência se corrige com mais violência. E o caminho não é este...

Volto ao início deste post e finalizo com minha tristeza em ver uma professora perder as esperanças. Justo aquela que escolheu a profissão que mais contribui para a nossa formação social.

Se ela e tantos outros não creem que há outras formas de combatermos as desigualdades e violência do nosso País e que a solução é a redução, qual futuro nós teremos?

É lamentável...

E só me resta dizer que ‪#‎ReduçãoNÃOéSolução‬.

Rúbia Lisboa.

Leia mais sobre o assunto. Informa-se faz toda a diferença: